sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

este, que já estava no baú há tanto tempo.

A verdadeira diferença é que o que é amor não é o que é platónico, longínquo, aparentemente perfeito; o verdadeiro, esse, é o que está mesmo ali, do nosso lado, esquerdo ou direito (não interessa muito), o que vai ao supermercado, o das noites péssimas e o das de glória também, é o das férias da nossa vida, dos momentos cruciais, dos de desespero, dos de tanto... é, e afinal, o de sempre, mesmo que esse sempre não tenha sido desde sempre.

Façamos um exercício de mente: dói perder o platónico, o da imaginação, o do "e se", porque o lado impossível sempre teve muito mais adeptos do que o outro lado. Só que esse, o impossível, o cerebral, o que parece transcender, não é mais do que um harmonioso doce daqueles enormes para crianças que se vende em festas e feiras populares: é bonito, é maravilhoso, enche-lhes os olhos e quase que a barriga... mas, das duas uma, ou o pequeno o começa a comer e se cansa rapidamente dele, ou se o come até ao fim, capaz é de ficar com o estômago e afins às voltas. Por isso, e o fundamental, é que sim senhor, dói perder o que criamos algures entre a cabeça e a... cabeça. Mas a questão é que dói ali, naquele instante pequenino... porque depois, fica só naquele difundido "e se", que na realidade não interessa nada para a verdadeira plenitude de vida.

Perder o verdadeiro, isso sim... isso sim incomoda o coração e a alma e a cabeça e as pernas e os braços. É que depois já não dói só um bocadinho, depois isso já não é doer...isso já é ficar sem uma parte do que é tão nosso, tão de sempre, tão de sabor a casa e, ao fim ao cabo, tão melhor.

Custa muito perder uma ilusão, mas perder a nossa identidade é perdermo-nos a nós mesmos.

E porque fica bem agora citar aquela do “muitas vezes não gostamos das pessoas, mas da ideia que fazemos das pessoas”… E mais ainda, e para arruinar todo o texto, acabo com “mas ideias discutem-se” (quanto mais não seja só para ser ‘escritamente’ correcta).



P.S. Não falo em Londres, porque se não dá-me uma vontade maior que a galáxia de lá estar agora.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

L, de Londres. L, de Love.

Dois dias. Dois dias e estou na cidade que há muito tinha prometido visita. Estou em pulgas, das bebés, que não quero ir com demasiadas expectativas... Mas, ainda assim, em pulgas suficientes que se transformam em formigas na barriga (e com isto acabo de perceber que não só a larva se transforma em borboleta).
Não sei bem o que esperar de Londres (ou sei, que já vi vezes sem conta fóruns, blogs e livros), mas sei que há qualquer coisa, e isto já há bastante tempo, que me diz, ainda que sem conhecimento de causa, que era bem capaz de viver ali.
Deve ser do inglês. Do inglês puro, não daquele outro de plástico, de fast food, de made in USA. Calma, que isto não significa que tenha alguma coisa contra os Estados, que há-de também ser um dia viagem merecedora de post, mas o inglês dos ingleses é coisa de outro gabarito, de uma outra pinta, de uma suavidade que nos entra ouvidos a dentro e quase nos conforta a alma. O inglês dos ingleses dá vida e sentido ao que se costuma dizer por esse mundo fora: "a língua inglesa fica sempre bem". Porque é diferente, muito diferente, ouvir um I love you de um I love you "shakespeariano"... e eu quero ouvir o segundo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ho, ho, ho!

Hum, uma semana para o Natal...







...e eu ainda tenho: duas avaliações na formação, um exame na pós-graduação, um trabalho para a pós-graduação, duas limpezas de casa (hoje uma, na próxima sexta outra), embrulhar presentes que me faltam, completar o presente do P., ir com a mãe às compras I (presentes e afins para ela dar), ir duas vezes a Lisboa, quatro dias de formação em Coimbra, recepção de uma das babes queridas depois de três meses de ausência, jantar com as babes queridas, bolos&bolinhos (só lá para 23), ir com a mãe às compras II (comes&bebes para o almoço do dia de Natal), conversar com o R. (muito, que o nó continua e o facto de ainda não lhe ter olhado para os olhos, piora), beijinhos ao P., ir às compras de Natal com o meu pai (e isto vai irritar-me muito porque já sei que ele me vai pedir isto praí no dia...24...ao final da tarde!), estudar (pois!), and so on, and so on, and so on. Um semana para o Natal? Provavelmente precisaria de um mês.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

i (de incondicional)

Andava, e há que tempos, para retomar a escrita. Era hoje, era amanhã...foi hoje.
O "bloguismo" (sim, isto não existe, mas eu tinha mesmo de apelidar a coisa), entrou na minha vida faz tempo (e faz dois blogs também). Decorria o 2008 e eu entrei na onda porque não sabia sair do barco que me levava na altura. Hoje, passados três anos, não venho para descrever tudo o que, depois do fecho do blog II, me aconteceu... Até porque para isso teria que criar um quarto blog e, assim, já nem o nome deste faria sentido.
Era hoje, era amanhã...foi hoje. Andava a tentar encontrar assunto suficientemente justificativo para (re)começar...foi hoje. Hoje que me sinto incapaz, mais, que me sinto impotente. Ele, o único pelo qual eu seria capaz de morrer e matar (e digo isto assim, fria e convictamente), está a crescer. Custa-me não lhe poder parar o tempo, dizer-lhe "pára aí, meu menino, que isto daqui para a frente é sempre a doer". Custa-me ser inerte, com mãos e braços para o proteger e mesmo assim não conseguir. Custa-me estar nesta paralisia bruta, assim só a olhar de bancada, a assistir sem poder entrar em jogo. Custa-me não lhe soprar para ferida e dizer "pronto, já passou... já paaassoooou!", como lhe fazia vezes sem conta com os joelhos e os cotovelos e a testa. Sim, a testa... a que eu agora dou apenas o beijo de consolo, de respeito, de amor eterno e incondicional. Mas custa-me, custa-me que ele cresça, que ele sofra, que ele passe para o lado de cá. Ele, que está um Homem (com um H maior que o Mundo e a Galáxia e o Universo vezes mil). Ele, que será sempre o meu menino d'oiro, a quem me apetece cantar cantigas de embalar. Ele, que hoje me deu motivo (dá-me motivos todos os dias), para eu voltar a escrever. Ele, que está a passar pela primeira relação falhada. Ele, que não merece que lhe doa o lado esquerdo (eu sei que muitos não merecem, mas perdoem-me o meu sentir). Ele, que eu sempre imaginei com um mundo perfeito, com um nada que o atingisse, com um arco-íris com mais de seis cores. Mas ele, que é de carne e sangue do meu sangue, também tem de crescer. E ele, que é das melhores pessoas que conheço, também tem de bater com a cabeça e errar e sofrer e fazer sofrer. Só que eu...o problema sou eu. Eu é que nunca vou estar preparada para assumir que sim, que ele é como o outro miúdo ali da esquina ou ali da China, com também quase 1 7 anos, e que precisa de isto e de mais não sei quantos istos que lhe vão aparecer vida fora.
Só não é justo para mim, que tenho um aperto e um nó na garganta. Só não é justo para mim, que queria ver-lhe sempre aquele sorriso. Só não é justo para mim, que queria apenas dizer-lhe o "pronto, já passou" e passava. Só que não passa. Agora, já não passa.


Ao R.,
por cresceres, por saberes crescer e por me dares sempre força para te ver crescer.



(P.S. - Desaprendi a escrever. Não sei se volto.)